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Ag. O Dia
Fórmulas para emagrecer têm substâncias que provocam dependência e podem levar a infarto e depressão.
Emagreça em um mês. Talvez 10 quilos em duas semanas. Ou até mesmo comece a perder peso agora. Quem nunca sonhou com essa fórmula mágica? Para atender esse desejo, alguns médicos prescrevem fórmulas, produzidas em farmácias de manipulação, que são verdadeiras ‘bombas’.
O resultado? Um pesadelo. Hipertensão arterial, insônia, tremores, falta de atenção, agressividade, depressão, infarto e problemas da tireóide são apenas alguns dos efeitos colaterais resultantes da mistura de anfetaminas, hormônios tireoidianos, laxantes e diuréticos encontrados nos compostos para emagrecer rápido.
Uma fórmula para perder peso contém, em média, cinco desses componentes. “Essas drogas, além de dependência química, podem provocar depressão, irritabilidade e atingir o sistema nervoso central, provocando doenças como o transtorno bipolar”, explica o endocrinologista Egberto Moura.
Há ainda médicos que receitam hormônios tireoidianos, que não devem nunca ser usados para emagrecer, pois podem desenvolver hipertireoidismo, doença que causa diversos transtornos. Os riscos aumentam quando entram nos compostos tranquilizantes e antidepressivos para tentar diminuir os efeitos tóxicos, como agressividade, ansiedade e agitação.
Fórmulas são proibidas pela Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a associação de medicamentos anorexígenos com ansiolíticos (usados para controlar a ansiedade), antidepressivos, diuréticos, hormônios e laxantes.
A decisão saiu um ano depois que a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), órgão ligado à ONU, mostrou que o Brasil está entre os países que mais usam moderadores de apetite em todo o mundo, ao lado da Argentina e dos Estados Unidos.
Segundo o estudo, os três países consomem 78% dos estimulantes do mundo. Os mais comuns são anfetaminas e derivados como femproporex.
Já os medicamentos convencionais para emagrecer não são proibidos no Brasil. Mas devem ser prescritos num receituário de cor azul, conhecido como B2, que tem validade de 30 dias, conforme resolução em vigor desde o ano passado.
Box: Principais substâncias e seus riscos
CALMANTES E ANSIOLÍTICOS
(diazepam, clonazepam, lorazepam, bromazepam, fluoxetina)
Isoladamente podem levar a ganho de peso. Em conjunto pode causar danos no sistema nervoso central, como: delírios, alucinações, paranóia, mania de perseguição, fobias, depressão, surtos psicóticos
MODERADORES DE APETITE
(femproporex, anfepramona, dietilpropiona ou mazindol)
Aumentam a pressão arterial. Aceleram batimentos cardíacos (taquicardia).
Produzem arritmias cardíacas, insônia, boca seca, suor excessivo, agitação e também delírios e alucinações. Em pessoas que tenham pressão alta ou problemas cardíacos, podem causar angina, infarto e morte por parada cardíaca. O uso prolongado pode levar à dependência.
HORMÔNIOS TIREOIDIANOS
(liotironina ou T3, tiroxina ou T4, ácido triiodotiroacético ou Triac ou, ainda, Triacol)
Aumento na pressão arterial, taquicardia, arritmias cardíacas, angina, infarto, insônia, agitação, irritabilidade e problemas menstruais. Leva a perda do tecido muscular ósseo levando à osteoporose e fraqueza muscular. Seus efeitos colaterais são potencializados com a ingestão conjunta de moderadores de apetite.
DIURÉTICOS
(furosemida, hidroclorotiazida)
Perda de sais minerais como potássio, sódio, cálcio. Podem levar a insuficiência renal e produção de cálculos (pedras) nos rins.
LAXANTES
(fenolftaleína, fucus, sene, cáscara sagrada, entre outros)
Problemas renais e intestinais diversos. Uso por muito tempo causa ‘dependência’ do intestino, que passa a não funcionar direito
COMPOSTOS ‘NATURAIS’ E ERVAS
(erva de São João, aloína, quitosana, guaraná, kava-kava, passiflora, gelatina, glucomannan, entre outras). A eficácia no emagrecimento ainda não foi comprovada.
Como os efeitos são desconhecidos, médicos não recomendam tais substâncias no tratamento da obesidade.
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